A estupidez da busca de si mesmo

“Buscar a si mesmo”. Essa idéia tem sido discutida, repetida, divulgada, dissertada, cozida e assada por centenas de famosos “pensadores” e milhões ou bilhões de não-famosos “pensadores” – aqueles pensadorezinhos caseiros, como eu, que nunca ganharão a tão sonhada “famosa citação” em nenhum livro que não seja escrito por algum familiar ou grande amigo nosso.

Por que a busca do “si mesmo” é tão estúpida? Ora, porque tal busca, por si só, já mostra que aquele que busca está tão cego que não consegue achar-se, visto que o “si próprio” é evidente, claro, explícito e devidamente exposto ao mundo. O seu “você”, meu amigo e minha amiga, é o você que eu vejo. O que se passa dentro de si, acredite, não faz a menor diferença. Só o que importa é a tua interface!

Você sabe o que é interface? Darei um exemplo: há décadas as máquinas de refrigerante funcionam da mesma maneira: coloque o dinheiro, aperte o botão, ouça a latinha descendo, pegue-a e seja feliz. Era assim nos anos 80 e é assim hoje. Agora eu pergunto: você acha que a parte eletrônica, elétrica e mecânica que havia dentro dessas máquinas é a mesma hoje? É claro que não! E isso importa? Não importa pra mim, e não importa pra ninguém! Só há uma pessoa que se importa com isso: o engenheiro responsável pela criação das máquinas e o técnico que as mantém funcionando.

Quem vive nessa tão abstrata “busca de si mesmo”, olhando para dentro de si, tentando esquecer-se das “máscaras” desse “baile” que, dizem, é a vida, está, simplesmente, olhando para o lado errado: estão olhando para o lado que não importa para ninguém!

Abandonar as “máscaras” (se é que pode-se chamar nosso comportamento e reações dessa maneira grotesca) é perder a metade importante do “si mesmo”. Pensar no “si” como um cerne destituído de ligação com o ambiente é imaginar que asfaltar alguns quilômetros de estrada NA LUA ajuda a melhorar o trânsito no Brasil. Que me importa a lua? É aqui que as coisas acontecem.

A única maneira de ver a si mesmo, de compreender-se, é olhando POR FORA, e não para dentro. Tentar livrar-se do aspecto externo, ou seja, do que chamam de “máscaras” e dos “papéis” é, primeiramente, pura estupidez e, depois, uma camuflagem pseudo-intelectual para o escapismo, a fuga, o murmúrio vão e inútil do “desajustado” que pensa que todos somos atores numa grande peça teatral, e que o papel que lhe deram é injusto ou inadequado para suas habilidades.

Não faz sentido tentar buscar dentro de si o que é verdadeiramente seu para, assim, tentar trazer algo para fora. Alguns pensam que, se compreenderem a si mesmos dessa maneira introspectiva, poderão dominar seu cerne ou aquilo que encontrarem lá e, assim, tornar-se-ão melhores de alguma forma (melhor auto-controle, moderação, reação a adversidades, fim de necessidades consideradas fúteis, objetivos mais nobres ou mais interessantes, et cetera). Mas a verdade é que aquilo que há dentro de cada um de nós jorra para fora constantemente e abundantemente! O que há dentro do homem derrama-se pelo mundo a todo instante. Porque buscaríamos um copo d’água se já estamos submersos nela?

Mas alguns poderão objetar, dizendo: “mas nosso instintos mais violentos, por exemplo, ficam contidos”. E isso é verdade. Nem todas as nossas vontades são externadas – muito pelo contrário, o que é externado é uma amostra muito mais rica daquilo que somos, pois é um misto de desejo de fazer e desejo de não fazer, num controle ou descontrole únicos. Buscar compreender a si mesmo olhando apenas para os instintos ou qualquer outra movimentação interior sem lembrar da forma de manifestação exterior é olhar uma amostra falsa – uma massa que não foi para o forno.

Por isso a busca do seu “eu” através da introspecção é estupidez. O que há dentro de você não é você. Isso é apenas a massa crua. Ela é informe, mole, difícil de trabalhar. Sem o forno da exteriorização, nada do que você vir fará algum sentido (e, veja bem, não estou falando da verbalização).

Repito: a única maneira de compreender-se é olhando POR FORA. É a vida quem mostra quem somos, realmente. O que há dentro de nós só toma sua forma definitiva quando é posto para fora.

Aquele que propõe-se a buscar a si próprio não quer, no fim das contas, aceitar o que é. Você já tem a si mesmo. Nem faz sentido dizer: seja você mesmo. Você já é você, e não pode fazer nada para não ser o que é. Fingir ser intelectual, ignorante, rico, pobre, religioso, desregrado ou o que for é, no fim das contas, uma exposição clara daquilo que estava dentro de você, e é só com esse material – o externo, o visível, o palpável – que podemos trabalhar.

E, claro, buscar a si mesmo é outra manifestação clara do que há dentro de você. Se você foge para dentro ou para fora, tanto faz. Ninguém consegue parar de manifestar-se…

p.s.: antes que alguém argumente que o homem é capaz de fazer várias coisas, digo o seguinte: todos os homens têm a mesma capacidade: eles podem matar, podem roubar, podem estuprar, podem dar a vida para salvar um amigo, podem doar seus bens para a caridade e podem se matar. Assim, partindo da premissa que todos temos capacidades iguais, fica claro que estas não têm relevância alguma na definição do “si próprio” (na Matemática, chamamos isso de “normalização”).

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11 Comentários »

  1. Giselle said

    Entendo o que vc disse e tenho que admitir que concordo, mas em partes. Não sei o que vc entendeu do que eu penso, mas conhecer a si mesmo é saber sobre si, é conhecer suas próprias características, seus anseios, suas dificuldades, suas frustrações, suas buscas, seu desejo, etc. Isso é chegar à si mesmo e, não necessariamente, é algo introspectivo.
    E as máscaras iludem as pessoas entende? a máscara encobre o que vc é de fato, vc a utiliza para iludir a si próprio pq talvez vc não conseguiu ser o que vc quis ou quer ser algo diferente do que é. Mas concordo quando vc diz que “aquilo que há dentro de cada um de nós jorra para fora constantemente e abundantemente”, pura verdade! Mas o ser humano não quer conhecer a si, porque como está lá no texto que postei: “Ninguém se amaria a si mesmo se deveras se conhecesse” e no fundo todos sabem disso, é desconhecendo a si e aos outros que vivem felizes. O que eu quis dizer é: o que tá faltando para muita gente é conhecimento sobre si, como vai se conhecer é outra questão, daí entra o que vc postou… mas enfim, vou fazer um adendo depois no meu blog. Valeu pela luz da tua visão! só acho que vc deveria escrever com mais empatia ; )

  2. Cléber said

    Ah, ok. Eu detesto quando uso palavras estúpidas como “estupidez”. Mas é como eu trato a mim mesmo (digo, me convenço de que algo é estupidez dizendo que é estupidez pra mim mesmo, sabe?), daí isso escapa com facilidade.
    O que ocorre é que eu considero as máscaras como parte do todo, e não como uma espécie de ferramenta “externa”. Elas são intrínsecas às pessoas, e são parte do “eu mesmo” que se busca.

  3. Deus Abençoe!

  4. marta said

    Meu DEUS!!!!!!!!!!!!!!
    Estou assustada!!!!!
    Quem escreveu este texto “A estupidez da busca de si mesmo”?????????????????????
    Nunca li algo tão estúpido!!!!!!!
    Como crescer enquanto indivíduo, evoluir espiritualmente, amar e compreender o próximo e a si mesmo sem olhar para a sua essência? Sem exercitar uma reforma íntima onde necessário? Viveremos eternamente de “máscaras”? Tentanto passar uma imagem daquilo que na verdade não somos? Pior: além de enganar ao próximo enganar a si mesmo???????? Que felicidade há nisso?
    Se fosse assim, Deus nos faria todos iguais, e não seres ímpares… Cada um com sua própria essência, única….
    Quanta coisa vc ainda precisa aprender…. Mas ainda há tempo… experimente começar por alguns livros que falam de reforma íntima (como por exemplo Reforma Íntima sem Martírio ou As Dores da Alma ou ainda Os prazeres da Alma….). Tenho certeza de que só em fazê-lo vc irá discordar de si mesma…. Sempre há tempo para o mergulho interior e de ser o melhor que se pode… Evoluir, aprimorar-se…. Afinal, para que será que viemos a este planeta????

  5. Cléber said

    Ai, Marta! Marta, Marta! Você não leu o texto, leu? Olha só:

    “Como crescer enquanto indivíduo, evoluir espiritualmente, amar e compreender o próximo e a si mesmo sem olhar para a sua essência?” — eu não disse para não olhar sua essência!

    “Sem exercitar uma reforma íntima onde necessário?” — eu não disse para não fazer reforma alguma.

    “Viveremos eternamente de “máscaras”?” — a questão das máscaras fazerem parte do chamado “si mesmo” é uma das idéias centrais do texto. Talvez você percebesse se o tivesse lido direito.

    “Pior: além de enganar ao próximo enganar a si mesmo?” — eu disse que a compreensão de si só pode ser alcançada olhando pelo lado certo, que é justamente o lado de fora, por onde “o próximo” olha.

    “Que felicidade há nisso?” — hein? Será que dá pra se manter no tema?

    “Se fosse assim, Deus nos faria todos iguais, e não seres ímpares…” — vide o post scriptum.

    “vc irá discordar de si mesma” — “Cléber” é nome de homem, amigo.

    “Sempre há tempo para o mergulho interior e de ser o melhor que se pode…” — melhor como, se o mergulho é interior? Se a melhoria deve ser notada por alguém (pois, do contrário, não faz muito sentido), não se deveria fazer um “mergulho” no ser todo, integral?

    “Evoluir, aprimorar-se… Afinal, para que será que viemos a este planeta????” — que conversa mole, Marta! Você acredita que quem evolui bastante aqui “nesse planeta”, depois da morte vai para um melhor? Depois da morte vem o lago de fogo para os que não nasceram novamente, e o desfrutar da presença de Deus para os que crêem em Jesus Cristo. Fim de papo.

    Hebreus 9:27: “aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo”. E não venha com aquela história das influências farisaicas de Paulo, não, porque nem foi Paulo quem escreveu essa carta!

  6. Franklin said

    Estupida a pessoa que diz que é besteira a busca por si mesmo…
    se estude que as coisas talvez possam fazer mais sentido para vc…
    e outra coisa, quanto a isso:
    “O seu “você”, meu amigo e minha amiga, é o você que eu vejo. O que se passa dentro de si, acredite, não faz a menor diferença. Só o que importa é a tua interface!”

    Quando voce conhece sua essencia .. oque nao faz a menor diferença é oque voçe ver em mim… o que se passa dentro de mim sim é o que importa.. onde está meu verdadeiro “EU”, longe de fatores externos…(isso é muito complicado para falar em poucas linhas) ..mais minha filha..leia alguma coisa e descubra como voce é influenciada e acaba agindo incoscientemente … contra seu ego principiológico…abraç;

  7. Anônimo said

    Gente, eu diria que toda teoria pode parecer real enquanto ela apresentar um raciocínio, então para saber se o que estamos acreditando é real, é importante travar uma busca por conhecimentos, não só na palavra de pensadores, mas na própria ciência….

    Se todos procurassemos leituras sobre psicologia e psiquiatria teríamos novos horizontes de como ver a vida e a nós mesmos..

    O que adiantaria para mim saber sobre o funcionamento da máquina de coca cola já que só me interessa utiliza-la e não depende de mim mas sim do engenheiro que a construiu melhorar as condições desse funcionamento..pois bem… neste caso posso até concordar, mas lembremos que não temos engenheiros para que possamos consertar o mau funcionamento de nossas mentes, isso dependerá exclusivamente de nós. Se não sabemos como o nosso psiquismo procede, somos escravos dessa alienação. Dica de uma boa leitura: Augusto Cury, “A facinante construção do eu” belo livro de psiquiatria para leigos.

    beijos!

  8. CARLOS said

    Realmente acredito no que vc escreveu ! Nao adianta discutir com com as pessoas que nao conseguiram notar que a vida é assim mesmo ! elas vao passar o resto da vida procurando algum tipo de soluçao dentro de si mesmas . Só consegue enchergar o que vc está encinando é quem ja experimentou essa prisao que é ficar olhando pra dentro de si procurando respostas e depois conseguir ser livre por esse encino ai ! ABRAÇOS , OTIMO ENTENDIMENTO !

  9. rovine popol vuh maya guatemala

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